| Sistemas
de refrigeração para moldes de injeção
de termoplásticos.
A refrigeração de um molde é uma das etapas
mais importantes para a qualidade da peça injetada e para
determinação do tempo de ciclo. Portanto, o conhecimento
profundo das técnicas e configurações de sistemas
de refrigeração permite reduzir o custo da peça
produzida e obtê-la com a qualidade desejada.
O uso de materiais poliméricos no processo de moldagem de
componentes plásticos tem sido cada vez mais difundido e
aplicado nos mais variados setores da economia mundial, como o automobilístico,
eletro-eletrônicos, eletrodomésticos, brinquedos, equipamentos
cirúrgicos, embalagens, construção civil, alimentícios
entre outros.
A realidade das indústrias que circundam esse mercado baseia-se,
cada vez mais, na agressividade dos padrões requeridos, que
traduz em maior competitividade diante de um mercado globalizado,
onde produtos com qualidade e custos finais reduzidos encontram-se
como pré-requisitos.
Diante desse mercado, o prazo de entrega é o grande diferencial
na manutenção do sucesso. Para tanto, as indústrias
apresentam esforços constantes na busca de técnicas
e processos que levem à produção eficiente
dos componentes injetados.
Nesse panorama, encontram-se inseridas as indústrias fabricantes
de moldes de injeção (ferramentarias). Considerando-se
o molde de injeção como parte integrante do ciclo
de desenvolvimento dos componentes à base de polímeros,
torna-se evidente que as ferramentarias exercem papel fundamental
no processo, pois são elas as responsáveis pelo desenvolvimento
do molde, por sua vez, é determinante na qualidade do produto,
nos tempos de produção e, consequentemente, no custo
final de produção.
O molde de injeção constitui um tipo de produto com
especificações e restrições definidas,
o qual contempla uma grande carga tecnológica, devido às
exigências de menores prazos de fornecimento (Salvador et
al, 2007).
Contudo, indústrias envolvidas na fabricação
dos moldes, através de seus departamentos de engenharia (setor
de projetos), buscam manterem-se competitivas atendendo às
demandas e exigências desse mercado, cada vez mais disputado
e em franca ascensão.
Um projeto cuidadoso de um ferramental (molde de injeção)
é a principal atividade para se garantir um alto nível
de produção com baixa manutenção, e
para tanto, há necessidade de serem observados todos os fatores
técnicos envolvidos durante o processo de desenvolvimento
do projeto deste ferramental, a fim de que as possibilidades de
falhas possam ser minimizadas (Harada, 2006).
Os fatores técnicos são, por exemplo:
• No produto moldado: os materiais, a contração
a geometria da peça, sua aplicação, entre outros.
• No ferramental: as soluções de projeto como
a linha de abertura do molde, ponto de injeção, o
sistema de extração, o sistema refrigeração,
entre outros.
• No processo produtivo: número de ciclos desejados,
tempo de ciclo, temperaturas de injeção e extração,
entre outros.
Um projeto bem dimensionado do produto a ser moldado (peça),
o desenvolvimento e projeto do molde a ser construído (molde)
e a determinação do processo mais adequado (produção),
como pode ser acompanhado na figura 1, são fatores decisivos
para a qualidade, tempo de ciclo e custos associados ao componente
injetado em polímeros (Steinko, 2004).

Figura 1 – Fatores que influenciam decisivamente na qualidade
do produto moldado.
Analisando-se
os elementos apresentados na figura 1, verifica-se que, com relação
à peça moldada, necessita-se observar fatores como:
a configuração da peça moldada e o material
envolvido no molde. Quando se trata do molde é preciso observar
fatores tais como: manutenção e desgaste; estabilidade
do molde; configuração dos canais de alimentação,
sistemas de canais a quente e os sistemas de refrigeração,
fatores que influencia decisivamente na qualidade da peça.
Na produção verificam-se aspectos referentes à
mão-de-obra, máquinas e periféricos, meios
de produção e processo.
Diante do contexto apresentado, verificou-se a oportunidade de contribuir
para o processo de projeto do molde de injeção aplicados
na obtenção de peças à base de polímeros,
seja na questão acadêmica, que prepara novos profissionais
para o mercado de trabalho, seja no processo adotado pelas ferramentarias
e escritórios de projetos.
O aumento na internacionalização dos mercados e de
uma economia globalizada tem favorecido a crescente procura por
produtos e serviços mais eficientes. Produtos que ofereçam
soluções inovadoras, com maior qualidade, menor custo
em tempo adequado de execução, procurando ao máximo
atender, e até mesmo superar, as expectativas desse mercado
cada vez mais exigente e competitivo, constituído por consumidores
cada vez mais conscientes de suas necessidades.
Diante desse contexto, inserem-se as empresas brasileiras, que participam
desse seleto grupo de empresas que atuam no mercado de desenvolvimento
e projetos de moldes de injeção para polímeros
que, ao longo dos anos, vêm perdendo sua competitividade para
o mercado externo, para países como Estados Unidos, França,
Itália, Portugal, Espanha, Coréia, Taiwan, Singapura
e mais recentemente China. Tais perdas podem estar associadas à
baixa capacidade das empresas brasileiras de acompanharem os desenvolvimentos
ocorridos junto ao setor internacional, além da incapacidade
de desenvolver alguns tipos de projetos, e o prolongado tempo na
execução do molde, consequentemente, a demora a alguns
casos ou mesmo o atraso na entrega.
São vários os pesquisadores que, através de
suas pesquisas com relação ao projeto de produtos
à base de polímeros e da ferramenta de produção,
molde de injeção, buscam reverter o quadro apresentado.
Percebe-se, nos estudos apresentados, que há uma abordagem
de forma abrangente, no que se refere ao projeto do molde em si,
mas, os sistemas que o compõem, como o de alimentação,
extração e principalmente o de refrigeração
são abordados de uma forma supercial.
Verifica-se que os sistemas (alimentação, extração
e refrigeração) encontram-se relacionados a funções
distintas no molde (Menges, 1993; Rees, 1995 e Harada, 2006).
Diante do fato,
pode-se afirmar que cada sistema apresentado provém de um
projeto individual, assim compondo o projeto do molde. Importante
ressaltar que os desenvolvimentos dos projetos dos sistemas não
devem ocorrer separadamente, pois existe uma forte interação
entre os mesmos.
Esses sistemas necessitam ser desenvolvidos de forma a apresentar
resultados, no mínimo satisfatórios durante sua atuação
no processo produtivo. Quanto ao desenvolvimento e projeto desses
sistemas, verifica-se que sua abordagem é realizada de forma
abrangente, podendo assim, caracterizar um dos fatores que corroboram
na ineficiência produtiva do molde de injeção.
Como exemplos citam-se os sistemas de refrigeração,
cuja importância pode ser verificada durante o try-out ou
mesmo durante o processo de produção do componente
injetado. Caso o projeto do sistema não seja adequado, com
certeza tal fato contribuirá para a ocorrência de problemas
quanto à qualidade do componente injetado, o aumento no tempo
do ciclo de injeção e, consequentemente, nos custos
de produção, situação indesejável
no processo produtivo. Esse panorama leva, em muitas situações,
à necessidade de se retrabalhar o molde, desde o projeto
até sua concepção.
O desempenho térmico do molde de injeção para
termoplásticos, determinado através do sistema de
refrigeração, tem influência direta nas propriedades
e nos defeitos aparentes no produto e na produtividade dessas ferramentas
(Menges, 1993; Rees, 1995; Brito et al, 2002 e Harada, 2006).
No mínimo 60% dos defeitos aparentes (distorção
de formato, variações dimensionais, formação
de rebarbas e defeitos superficiais), a princípio, têm
sua causa na configuração térmica heterogênica
do molde, ou seja, podem estar relacionados com o desenvolvimento
e projeto incorreto ou ainda com a escolha do sistema de refrigeração
inadequado (Steinko, 2004).
Os projetos dos sistemas de refrigeração aplicados
ao molde de injeção, normalmente costumam estar situados
onde há espaço disponível para eles e não
onde realmente são necessários (Stitz et al, 2002).
Outro dado a ser considerado é o fato dos sistemas de refrigeração
serem, na maioria das situações, projetados de forma
intuitiva, tentativa e erro, por similaridade de moldes existentes
ou ainda baseados na própria experiência do projetista.
Fato levantado durante a pesquisa realizada junto aos profissionais
da área, mostrado em detalhes no apêndice A, levantamento
das práticas adotadas no projeto do sistema de refrigeração
de moldes para injeção de polímeros e que o
Portal do Moldes gostaria de destacar .
Quanto à expressão “experiência profissional”,
há necessidade de se tomar cuidado, considerando-se que a
palavra “experiência” deriva do conceito de desenvolvimento
empírico, “Galileu e Bacon, século XVII), considerada
como uma doutrina e afirma que a única fonte do conhecimento
é a experiência, ou seja, todo conhecimento somente
é obtido por experimentação (experimentar =
montar, construir, testar, medir, etc.).
Um trabalho intuitivo conhecido por heurístico deve ser cuidadosamente
manejado, visando ao seu uso de maneira eficiente, pois sua aplicação,
durante o início do desenvolvimento do projeto, quando ainda
não se possuem dados suficientes para uma análise
crítica da situação, pode direcionar inadequadamente
os esforços do projetista e de sua equipe, podendo frustrar
os resultados e desperdiçar recursos materiais e humanos
(Baxter, 1998).
Perante esse cenário, constata-se que as dificuldades durante
o processo de projeto do sistema de refrigeração do
molde de injeção, são oriundas, em parte, da
falta de organização, armazenamento e otimização
das informações inerentes à atividade proposta.
Outro fato a ser considerado é que poucos especialistas detêm
esse conhecimento, podendo criar uma dependência acentuada
da empresa em relação ao mesmo.
SISTEMAS
DE REFRIGERAÇÃO
As operações que envolvem o processo de moldagem por
injeção, também conhecidas pela expressão
ciclo de moldagem, são determinadas pela soma de todos os
tempos que compreendem todas as etapas do ciclo: desde o fechamento
do molde, a injeção, o recalque, a plastificação,
o resfriamento, a abertura do molde e a extração do
produto, finalizando com o molde aberto, assim possibilitando, na
sequência, o início de um novo ciclo. (Blass, 1988;
Rees, 1995; Malloy, 2000 e Harada, 2004).

Figura 2 – Diagrama do fluxo de moldagem.
Na figura 2
encontra-se representado um diagrama com a sequência e a duração
relativa de cada fase que compreende o ciclo. É possível
perceber que o tempo de resfriamento representa a maior parcela
do ciclo, tornando-se um dos sistemas mais críticos a serem
projetados durante o projeto de um molde.
O sistema de refrigeração do molde permite consolidar
a fase de refrigeração (dissipação de
calor da massa moldada) que se encontra inserida no ciclo de injeção
de uma peça ou de um conjunto de peças -figura 3 .(
Artigo disponibilizado pelo site Portal do Moldes) .O processo de
refrigeração do molde de injeção tem
como finalidade diminuir de forma homogênea, rápida
e constante, a temperatura da peça moldada até que
atinja seu estado sólido. O processo que envolve a fase de
refrigeração do molde depende: da temperatura externa
da superfície do molde, do ambiente que circunda o molde,
das condições do fluído refrigerante, do material
do molde e do material a ser injetado. Há situações
em que se torna necessário o pré-aquecimento do molde,
em função do tipo de material a ser injetado, como:
injeção de peças transparentes em policarbonato
(PC), nylon ou poliamida (PA) e policetato (PVA), por exemplo.

Figura 3 – Ciclo de injeção e dissipação
de calor.
O controle da
velocidade com que ocorre o resfriamento do componente é
de suma importância, pois permitirá condições
adequadas ao fluxo do material do interior do molde, garantindo
o resfriamento do componente moldado. Em conseqüência,
obtém-se o aumento na produtividade em função
da redução do tempo do ciclo de injeção,
a eliminação de defeitos aparentes e a manutenção
das propriedades da matéria-prima usada para formação
do componente.
A velocidade de refrigeração (troca de calor) do molde
é um fator decisivo no desempenho econômico de um molde
de injeção, pois define as propriedades da peça
e influencia diretamente no tempo do ciclo de injeção
(Menges, 1993. Rees, 1995; Brito et al, 2002 e Harada, 2004).
Há possibilidade de ocorrência de temperaturas desiguais
entre as placas do molde (Rees, 1995). Essa diferença pode
criar deformações nos produtos em função
de uma placa quente em relação à placa fria.
Esse diferença de temperatura entre as placas fixadas uma
à outra, também gera consideráveis forças
nas próprias placas, no sistema de alinhamento, nas guias
do molde e nos extratores, que geram desalinhamento na estrutura
do molde, necessitando assim, um método mais eficiente de
alinhamento.
O sistema de refrigeração tem como principal função
o controle da temperatura do molde. Portanto a diferença
de temperatura entra as superfícies da cavidade do molde
deve encontrar-se entre 2º e 5º C. Nesses parâmetros,
a refrigeração do molde torna-se eficiente, possibilitando
a redução ou eliminação de possíveis
tensões residuais termo-induzidas, provenientes do resfriamento
desbalanceado. (Menges, 1993; Harada, 2004).

Figura 4 – Mecanismo da distorção geométrica
causado por resfriamento desbalanceado (C-Mold Design Guide, 2000)
Nas figuras
4A e 4B, respectivamente, podem ser observados com maiores detalhes
os efeitos do processo de resfriamento balanceado e desbalanceado.
A figura 4A apresenta um exemplo de sistema de refrigeração
balanceado e eficiente, que proporciona condições
adequadas ao fluxo do material no interior das cavidades e garante
o resfriamento heterogêneo da peça até atingir
seu estado sólido, permitindo que seja extraída sem
que apresentem distorções. Já na figura 4B
verifica-se uma peça com distorções aparentes,
que se dá em função da ineficiência do
projeto do sistema de refrigeração, onde se observa
a má distribuição do mesmo, fato que não
possibilita a obtenção de uma peça livre das
tensões residuais termo-induzidas, originando peças
com defeitos.
A complexidade relativa ao desenvolvimento e projeto de um sistema
de refrigeração eficiente, direciona os projetistas
a observarem alguns aspectos que influenciam diretamente no processo
de refrigeração, tais como (Provenza, 1993. Menges,
1993; Rees, 1995; Sors, 1995; Stitz et al, 2002; Harada, 2004 e
Brito et al, 2004):
• O tipo de polímero e a temperatura de processamento;
• A temperatura do molde;
• As condições do fluido refrigerante;
• O espaço disponível no molde;
• A forma (perfil) da peça;
• O grau de condutividade térmica dos materiais aplicados
junto às cavidades;
• A entrada do canal de refrigeração próximo
ao bico de injeção, pois é a região
de maior acúmulo de calor;
• O dimensionamento e localização adequada dos
sistemas aplicados ao molde;
• As regulagens de parâmetros de processo; e
• O acabamento superficial do molde e do produto que se deseja
alcançar.
Ainda sob o
ponto de vista destes autores, em função das características
do produto e da configuração do mole, diferentes mecanismos
e sistemas de refrigeração poderão ser empregados
na refrigeração do molde.
O calor conduzido para dentro da cavidade do molde pelo material
fundido (Qpi) necessita ser extraído (figura 5), assegurando-se,
dessa forma, a solidificação do fundido, levando-o
a assumir o perfil da cavidade do molde e, posteriormente, possibilitando
ação de sistemas de extração sobre esse
produto moldado, sucedendo-se a sua remoção das cavidades,
sem que haja danos ao mesmo.

Figura 5 – Transferência de calor em um molde(Brito
et a l, 2004)
Em um processo
de moldagem por injeção, verificam-se três formas
distintas para a transferência de calor do material fundido
para as placas do molde e desta para o ambiente externo, conforme
ilustrado na figura 5.
• Convecçao¹ (Qconv) – A convecção
pode se dar de duas formas. A primeira através da convecção
natural da superfície do molde com o ambiente que o circunda
(Qamb) durante todo o processo de injeção e a segunda
através da convecção forçada, quando
se bombeia o fluído refrigerante pelos canais de refrigeração
(QTM) ou mesmo, por resfriamento através do spro de ar no
molde aberto;
• Condução² (Qcond) – ocorre na transmissão
do calor do polímero fundido, através dos componentes
do molde, chegando aos canais de refrigeração; e
• Radiação³ (Qrad) – o calor tranferido
por radiação ocorre do molde para o ambiente que o
circunda (Qamb).
Para que o sistema de refrigeração do molde de injeção
se apresente de forma eficiente na troca de calor entre a massa
injetada e as placas que compõem o molde, há necessidade
de se optar por uma refrigeração forçada (convecção
forçada), ou seja, é necessário que se tenha
a circulação de um meio refrigerante como a água,
o óleo ou mesmo gás pelo interior do molde, através
de um circuito fechado.
Para tanto se faz necessário levar em consideração
os tipos de sistemas e arquiteturas disponíveis e determinar
qual deles propicia uma refrigeração de forma eficiente
da massa fundida, que se encontra dentro da cavidade do molde e,
por conseqüência, forma o produto independente do perfil
deste.
Agentes de troca de calor empregados no controle de temperatura
do molde
A adoção da designação de sistema de
controle de temperatura ou de sistema de refrigeração
(figura 6) depende, sobretudo, da perspectiva de análise
a ser realizada, considerando que determinados materiais necessitam
que o molde seja resfriado enquanto outros sejam aquecidos, para
que o processo de injeção seja satisfatório
(Brito et al, 2002).

Figura 6 : Exemplo de sistema de controle da temperatura.
Na figura 6
demonstra-se um circuito de refrigeração empregado
na refrigeração de uma peça. Nesse circuito
podem ser observados os canais que refrigeram a parte interna (macho)
e externa da peça (cavidade). É nesses circuitos que
circulam os agentes refrigerantes como a água, óleo,
gás entre outros.
Os meios de refrigeração são (Provenza, 1993;
Cruz, 2002; Britto et al, 2004; Harada, 2004 e Manrich, 2005):
• Água em temperatura ambiente – De acordo com
Harada (2006), é o fluido mais empregado no processo de refrigeração,
aproxima-se de 80% dos casos.
1 – Convecção:
acontece por influência da gravidade e da mudança de
densidade dos fluidos. Exemplo: Uma panela de água quente
no fogo tem a parte debaixo da água na panela aquecida primeiro,
que sobe. A parte de cima, mais fria, por sua vez desce, formando
um movimento de convecção.
2 – Condução: acontece pela transmissão
de calor ao longo do objeto analisado. Exemplo: Uma colher no chá
quente, que tem seu cabo aquecido depois de um tempinho sem entrar
em contato direto com a água.
3 – Radiação: é a propagação
da energia sob a forma de onda que, quando em contato com algum
material, é absorvido pelo mesmo e se aquece ou se esfria
com essa energia. Exemplo: O calor do Sol, que chega até
nosso planeta viajando através do vácuo e, ao entrar
em contato com o solo, as plantas e quaisquer outros objetos tem
sua energia dissipada sob a forma de calor.
Detalhe a ser
considerado devido à disponibilidade na natureza, ter um
custo relativamente baixo, possuir baixa viscosidade, ser suscetível
a tratamentos, ( por exemplo: água e óleo, água
com anticongelante ), tratamentos estes que possibilitam melhorar
a sua propriedade e da água ser fluido reciclável.
• Água resfriada (gelada), Metanol4 + CO2, Gás
(CO2 e nitrogênio) – Utilizados quando há um
superaquecimento dos machos e cavidades do molde de injeção
ou quando a temperatura do molde necessita ficar abaixo de 3º
C (Stitz et al, 2002).
• Óleo e resistências elétricas –
Empregadas quando há necessidades do molde permanecer com
uma temperatura acima de 80ºC, fato a ser considerado quando
se injetam peças transparentes em policarbonato, acrílico
(PMMA) e nylon (Provenza, 1993). Nesse contexto necessita-se levar
em consideração que o óleo pode circular pelo
mesmo circuito utilizado pela água e, quando do uso de resistências,
é necessário fazer alojamentos para introduzi-las;
• Ar – Empregado quando for difícil o uso de
água como meio refrigerante ou quando se deseja um resfriamento
lento. O circuito é similar ao empregado na refrigeração
com água.
O molde de injeção pode ser resfriado ou mesmo aquecido,
dependendo do material a ser injetado e do processo empregado (Brito
et al, 2004). Diante dessa afirmação o autor conclui
que:
• Moldes mais quentes – O fluxo do material a ser injetado
é facilitado, as peças apresentam melhor aspecto superficial
e menores tensões internas, logo, de melhor qualidade. Em
contrapartida o tempo de resfriamento do componente injetado é
maior, o que implica ciclos de produção mais longos
e peças com custo mais elevado.
• Moldes mais frios – O fluxo do material a ser injetado
é dificultado, podendo mesmo não chegar a preencher
os pontos mais afastados da cavidade, ocasionando moldagens incompletas.
Quanto ao acabamento superficial é prejudicado e as tensões
internas são evidentes, contudo o tempo de resfriamento é
menor, o que proporciona ciclos de produção mais rápidos
e peças com custos reduzidos.
Sistemas/arquiteturas
dos circuitos de refrigeração:
Os sistemas de refrigeração aplicados aos moldes de
injeção possuem arquiteturas/circuitos determinados
em função do perfil da cavidade (conforme a superfície
externa do produto), ou macho (conforme a superfície interna
do produto) (Dyn, 1987; Provenza, 1993; Menges, 1993; Sors, 1995;
Stitz et al, 2002; Cruz, 2002; Harada, 2004 e Manrich, 2005).
Ainda de acordo com os autores referenciados acima, os sistemas
de refrigeração empregados nos moldes de injeção
podem ser classificados em: normais (usinagem utilizando-se a broca)
canais usinados, Bubblers, Baffles, barras refletoras (pino ou inserto
condutor) serpentinas (espiral ou helicoidal), tubos transferidores
de calor e canais que acompanham o perfil das cavidades dos moldes
de injeção (canais obtidos por processo de prototipagem
rápida).
Os sistemas acima relacionados dependem de um meio refrigerante
para que a troca de calor se efetive. Para tanto podem ser empregados
fluidos como a água e o óleo. Também não
poderia deixar de ser salientado o emprego de substâncias
gasosas e resistências elétricas, considerando-se que
esse último, juntamente ao emprego do óleo, são
aplicados em determinados materiais que apresentam a necessidade
de aquecer o molde durante o processo de injeção.
Os sistemas provenientes de usinagem, aplicando-se o processo de
furação, encontram-se conectados de forma a criar
um circuito fechado, ou seja, o fluido circula nas cavidades do
molde e retorna ao ponto de partida. Os circuitos desenvolvidos
por este processo podem ser um único nível ou vários,
dependendo da altura da moldação e da arquitetura
escolhida.
Os sistemas de refrigeração encontram-se subdivididos
em arquitetura/circuitos. Os mais comuns, idealizados com furos,
também designados de linha d’água, podem apresentar
circuitos em “U”, “Z”, retangular, circular
entre outros.
Nas figuras 7 a 28 encontram-se representados alguns exemplos de
sistemas de refrigeração empregados nos moldes de
injeção. Alguns desses sistemas apresentam uma combinação
de arquiteturas/sistemas, considerando-se a necessidade imposta
pelo projeto da peça, ou mesmo porque determinadas arquiteturas/sistemas,
não atuam sem o emprego de um meio refrigerante, fazendo-o
depender de um sistema que empregue os canais usinados normalmente
obtidos por meio do processo de furação.

Figura 7 : Sistema com furação na configuração
“U”.
Muitas são
as configurações de sistemas de refrigeração
conhecidas para aplicação em moldes de injeção
para termoplásticos. Entretanto, cada uma tem sua aplicação
específica que, se bem utilizada, torna a empresa mais competitiva
em função da redução do tempo de ciclo
e da melhoria da qualidade dos produtos.
Dando sequência ao artigo iniciado na edição
anterior, a seguir serão apresentadas as configurações
dos sistemas de refrigeração utilizados no moldes
para injeção de termoplásticos.
Configurações dos sitemas
Furação (circuito em “U”) – o circuito
em “U”, de acordo com Cruz (2002), é adotado
na refrigeração de cavidades onde o perfil do produto
é longo e baixo. Pode ser idealizado de três maneiras
de forma a permitir o direcionamento do fluxo do fluido refrigerante,
sendo as conexões dos furos realizadas: cruzando-se as furações
no interior do molde e aplicando-se tampões de vedação
(figura 7A); através de placas de conexão (figura
7B), sendo uma sobreposta à face da placa do molde e a outra
embutida na placa do molde ; e através da conexão
externa por mangueiras (figura 7C).
Quando se opta por conexão dos furos através de placas
, há necessidade de soldar ou de parafusar as placas. Na
aplicação de parafusos é requerido o uso de
agentes de vedação como O’ring¹ ou juntas.
Furação (circuito em “Z”) – esses
sistemas são aplicados na refrigeração de moldes
com duas cavidades ou mesmo de cavidade única, quando apresenta
uma grande área, conforme figura 8 (Brito et AL, 2004).

Figura 8 : Sistema com furação na configuração
em “Z”.
O desenvolvimento
desse tipo de circuito é recomendado para peças que
possuam um perfil baixo, em função do grau de complexidade
do leiaute² aplicado na configuração do molde.
Para tanto se pode optar entre o emprego de dois tipos de circuitos:
a configuração simétrica espelhada (figura
8A ) empregada quando se trata de duas peças simétricas
(direita e esquerda), adequada na obtenção de um resfriamento
mais uniforme dessas peças. O inconveniente desse sistema
são as entradas e saídas que estão em lados
opostos do molde.
Normalmente o simétrico (figura 8B) é o mais recomendado
por ter suas entradas e saídas no mesmo lado do molde. Em
ambas as situações as entradas do fluido refrigerante
podem ser localizadas “ao centro” com as saídas
nos “extremos”, ou vice-versa. Na configuração
desses dois tipos de circuitos é necessário que se
recorra aos tampões, de forma a criar os desvios de percurso
necessário, garantindo a vedação.
Furação (circuito “retangular”) –
São aplicados na refrigeração de cavidades
que apresentam um perfil na forma retangular (figura 9), podendo
as cavidades apresentarem pouca ou muita profundidade.

Figuras 9A e 9B – Sistema com furação na configuração
retangular.
A profundidade
da cavidade está relacionada à altura do produto,
ou seja, às cavidades de pouca profundidade, adota-se um
único nível para o circuito de refrigeração
(figura 9A) e para cavidades mais profundas adota-se um número
maior de níveis (figura 9B) (Brito etal, 2004).
Quando a configuração apresenta um número maior
de níveis, é possível também a adoção
de um número maior de entradas e saídas para o fluido
refrigerante. tal fato permite que o tempo de residência dentro
dos canais de refrigeração do molde seja menor, logo,
o controle da temperatura entre a entrada e a saída do fluido
torna-se mais eficiente, possibilitando melhor efetividade na refrigeração
da peça. Quanto à distância percorrida pelo
fluido, ou seja, a distância entre a entrada e a saída
do fluido refrigerante, deve ser a menor possível.
Furação (circuito alternativo para cavidades “circulares”)
– Esse tipo de configuração é empregado
na refrigeração de peças que apresentam um
perfil circular, principalmente em peças que possuem uma
grande área com perfil mais alto. Para produtos como baldes,
por exemplo, o sentido e a disposição dos furos quanto
à posição podem ser trabalhados, tornando-o
perpendicular ao furo de entrada do fluido de refrigeração
(figura 10), podendo ou não ser independentes, dependendo
do tamanho do percurso.

Figura 10 – Sistema com furação na configuração
de circuito alternativo.
Esse tipo de
circuito permite que os canais possam ser usinados próximos
da superfície interna do postiço, ou seja, próximo
da superfície da cavidade, conforme representado na figura
10, possibilitando a obtenção de uma melhor efetividade
do sistema na refrigeração da peça. Quanto
à arquitetura/circuito, dependendo da dimenção
da peça, pode ter outra disposição, por exemplo,
o oitavado (Provenza, 1993).
Furação em placas com alta condutibilidade térmica
(apresentam-se nos circuitos “U” e “Z”)
– Esse sistema é aplicado quando a placa cavidade possui
muitos postiços, extratores, parafusos e outros componentes
(figura 11), não restando espaço suficiente para confecção
de canais para circulação do fluido refrigerante (Brito
et AL, 2004). Nessa situação, a placa de refrigeração
somente é atravessada pelos furos dos extratores.

Figura 11 – Sistema com furação em placas de
alta condutibilidade térmica .
Furação
(circuito “usinado direto no postiço”) –
São implementados nos postiços de tamanho avantajados,
tornando-se possível realizar os furos para refrigeração
diretamente no próprio postiço (figura 12) (Brito
et Al, 2004).

Figura 12 – Sistema com furação usinada diretamente
nos postiços.
Para fechar
os furos e direcionar o fluxo do fluido refrigerante, são
empregados tampões, que são concebidos de uma liga
de baixo ponto de fusão, com a intenção de
tornar o sistema de transferência de calor mais eficiente
e a superfície da cavidade novamente lisa.
Apresenta a vantagem de não necessitar de pequenos postiços
no interior da cavidade e a desvantagem de sempre deixar uma pequena
marca no produto que, em certas situações, são
indesejáveis, como é o caso de peças transparentes.
Furação (circuito “inclinado”) –
Aplicada em machos longos, cujos furos são ligados no topo
(figura 13). Esse sistema permite evitar a furação
da parede lateral do macho e os defeitos oriundos de possíveis
marcas no produto injetado.

Figura 13 – Sistema com furação na configuração
inclinada.
O grande inconveniente
é não poder ser aplicado em todos os perfis de machos,
somente em formas muito peculiares, conforme representado na figura
13, pois dificilmente o circuito acompanhará o perfil do
macho e possivelmente a refrigeração não será
eficiente (Provenza, 1993).
Canal usinado (circuito para cavidade “circular”) –
É empregado quando há necessidade de que o canal acompanhe
o perfil da peça, ou seja, fique localizado o mais próximo
possível das paredes da cavidade (figura 14).

Figura 14 – Sistema com furação na configuração
canal usinado para cavidade circular .
Nesse sistema, o canal é usinado no próprio
postiço, possibilitando que o fluido refrigerante circule
de forma eficiente pelo circuito, refrigerando a superfície
da cavidade. Quando a peça possui um perfil alto, é
necessário trabalhar o número de níveis no
macho (figura 9), podendo ou não ser independentes. O inconveniente
dessa configuração é a utilização
de agentes de vedação (anéis O´ring).
Quanto ao percurso do fluido, pode apresentar duas configurações,
sendo uma divergente (figura 14A ) e uma contínua (figura
14B). Essa escolha está relacionada ao número e distribuição
das cavidades no molde.
Canal usinado
(circuito “placas de refrigeração”) –
Recomendados para cavidades que necessitam de um controle de temperatura
individual em cada uma das paredes da cavidade do molde. Nesse sistema,
o circuito de refrigeração é usinado na placa
de refrigeração (figura 15), que é fixada no
molde por meio de solda ou parafusos. No caso de parafusos, há
necessidade do emprego de juntas ou anéis O-rings.
É uma configuração pouco utilizada em moldes
de injeção. Seu uso se dá principalmente em
moldes aplicados na obtenção de peças pelo
processo de sopro (Brito et AL, 2004).

Figura 15 – Sistema com furação na configuração
canal usinado em placas de refrigeração.
Canal com usinado
(circuito com aplicação de tubos de cobre) –
Esse sistema de refrigeração pode ser construído
na configuração: “U”; “Z”;
circular e retangular. Alternativa aplicada quando os furos de refrigeração
cruzam a linha de junção do molde. Para tanto, os
postiços são montados em caixas abertas (figura 16).
Quanto aos tubos empregados para formarem o circuito de refrigeração,
necessitam ser flexíveis, permitindo que acompanhe a configuração
do circuito “U”, “Z”, circular e retangular,
dependendo da necessidade apresentada. As folgas existentes entre
o tubo de cobre e a caixa, em função da usinagem dos
canais, necessitam ser preenchidas com uma liga de baixo ponto de
fusão, o que facilita a transferência de calor. A união
das placas do molde envolvidas pode ser realizada por parafusos
(Provenza, 1993).

Figura 16 – Sistema com furação na configuração
canal usinado com aplicação de tubos.
Canal usinado
(circuito em “espiral”) – Sistemas aplicados em
peças de grandes proporções, como a injeção
de baldes e bacias, por exemplo. É aplicado na configuração
da cabeça dos machos e no fundo das cavidades que apresentam
a forma cilíndrica (figura 17). Quanto ao número de
espiras, dependerá da dimensão da peça a ser
injetada (Provenza, 1993).
Como inconveniente, o sistema apresenta um aumento relativo no tempo
de usinagem desses canais em relação aos demais sistemas.
O sistema também pode ser empregado em peças que apresentem
o perfil retangular, desde que os canais acompanhem o perfil da
peça a ser modelada.

Figura 17 - Sistema com furação na configuração
canal usinado em circuito espiral.
Canal usinado ( circuito em “helicoidal”)
– Esse sistema é aplicado quando há necessidade
de refrigerar as paredes laterais de uma peça. Os canais
de refrigeração são usinados sobre um postiço
na forma de uma rosa, podendo o helicoidal ser confeccionado com
uma entrada ou com mais entradas (figura 18ª, B e C). Os números
de entradas são definidos em função da necessidade
apresentada na refrigeração do produto injetado (Menges,
1993).
Na figura 18A representa-se um exemplo aplicado em peças
que apresentam um perfil alto e com grandes dimensões (acima
dos 50mm de diâmetro, como uma bacia por exemplo). Normalmente,
para esse tipo de peça, faz-se necessário complementar
com outro sistema, ou seja, associá-lo com um sistema de
configuração em espiral (figura 17), o qual permitirá
a refrigeração da área que compõe o
fundo da peça.

Figura 18 – Sistema com furação na configuração
canal usinado em circuito helicoidal.
As configurações
representadas nas figuras 18B e 18C são recomendadas para
machos compridos e com diâmetros de proporções
menores que o anterior, podendo variar entre 12 e 50mm. No exemplo
da figura 18B, o fluido de refrigeração entra pelo
centro do macho e sai pela helicoidal. A figura 18C apresenta um
circuito com duas helicoidais, sendo que o fluido entra por uma
e sai pela outra helicoidal.
Como desvantagem, o sistema tem canais de refrigeração
compridos, o que aumenta o tempo de residência do fluido dentro
dos canais, logo, o controle da diferença de temperatura
entra a entrada e a saída do fluido refrigerante pode ser
dificultado, proporcionando menor efetividade do sistema na refrigeração
do sistema na refrigeração da peça.
• Bubbler (circuito em “cascata tubular”)
– Esse sistema também é conhecido pela expressão
borbulhante (Brito et al, 2004). O sistema Bubbler é composto
de um tubo usinado, inserido em uma furação existente
no macho. O fluxo do fluido refrigerante passa inicialmente pelo
interior do tubo e retorna pela folga existente entre o tubo e o
macho, na forma de uma cascata (figura 19). Esse tipo de sistema
é recomendado quando se deseja levar a refrigeração
a algum ponto do molde, onde, pela falta de espaço, não
é possível a usinagem de um canal de retorno, permitindo
levar e trazer o fluido através de um único furo (Menges,
1993).

Figura 19 – Sistema com furação na configuração
cascata tubular.
Nas figuras 19A e 19B representam-se dois exemplos,
onde o sistema é empregado para refrigeração
do núcleo de um macho. Esse modelo é muito aplicado
atualmente substituição ao sistema do tipo serpentina,
devido à sua eficiência na refrigeração,
pois apresenta menor percurso na circulação do fluido,
através da adoção de um número maior
de entradas e saídas. Na figura 19B é apresentado
um exemplo onde o sistema fora empregado na plca porta-cavidade,
em função da sua pouca espessura, possibilitando o
fluxo do fluido (entrada e saída) através de um único
furo (Brito et al, 2004).
Baffles (circuito em “cascata por palheta”)
– Esse sistema (figura 20) também é conhecido
por lâmina separadora ou palheta. É um sistema similar
ao Bubbler, tanto no que se refere à sua concepção
quanto à sua aplicação. A diferença
encontra-se no tipo de separação empregado na furação
para que haja possibilidade da circulação do fluido
(Brito et al, 2004).

Figura 20 – Sistema com furação na configuração
cascata por palheta .
A separação se dá através
de uma lâmina que divide a furação em dois canais
semicirculares, conforme representado nas figuras 20A e 20B. A lâmina
separadora deve estar sempre perpendicular ao furo de passagem,
no caso de entrada, obrigando o fluido a subir por uma de suas extremidades
e descer pela outra (Menges, 1993). Quanto à fixação
das lâminas, pode ser com cabeça rosca (figura 20A)
ou somente encaixado na placa (figura 20B). O perfil da palheta
pode ser encontrado reto ou torcido em espiral, essa última
torna o sistema mais eficiente, devido ao aumento da turbulência
formada no interior do circuito.
Nota: A figura
21 mostra uma configuração, onde se aplica tanto o
sistema Bubbler como o Baffles, No contorno de peças que
apresentam grandes proporções, como baldes e banheiras,
permitindo a sua localização muito próxima
ao perfil da cavidade. É um sistema aplicado em substituição
ao tipo serpentina helicoidal, por ter maior eficiência para
esse tipo de peças. Pode ser aplicado tanto no macho quanto
na placa cavidade.

Figura 21 – Aplicação simultânea das configurações
bubbler e baffles .
Barra refletora (pino ou inserto condutor de calor)
– Essa solução é baseada no princípio
da utilização de materiais alternativos que apresentam
elevada condutibilidade térmica como as ligas de cobre (ampcoloy
940, cobre-berílio, entr outros). A condutibilidade térmica
pode ser de 4 a 10 vezes superior ao do aço usado nas cavidades
dos moldes (P20³, H13³ entre outros). Na figura 22 são
mostrados dois exemplos desse sistema.

Figura 22 – Aplicação de barras refletoras e
pinos térmicos.
Quanto à
forma das barras refletoras, podem apresentar secções:
cilíndricas, laminares ou quadradas e são determinadas
em função da necessidade da aplicação.
O sistema é disposto em regiões da cavidade do molde
que apresentam difícil acesso, ou seja, não possibilitam
a execução de sistemas baseados unicamente no processo
de furação, levando-se em consideração
que tal princípio, corrobora de modo significante na eficiência
da refrigeração de determinadas regiões dos
componentes moldados.
Na figura 22A verifica-se um exemplo de configuração
para o sistema/arquitetura onde os insertos tem contato com o material
moldado. Há configurações onde o pino condutor
de calor fica embutido no macho, para não ter contato com
o material moldado. Em função da dureza dos materiais
aplicados no pino térmico, em ambas as configurações,
uma das extremidades do pino pode ter contato com fluido refrigerante.
Na figura 22B apresenta-se um exemplo de pinos térmicos tipo
agulha. Esses tipos de pinos térmicos são recomendados
para moldes que possuem alto volume de fluxo e peças de dimensões
pequenas (Stitz et al, 2002). O sistema assume a forma de tubos
semelhantes a agulhas hipodérmicas, conde líquidos
ou gases podem ser introduzidos através delas para atingirem
pequenas áreas do molde que requerem resfriamento.

Figura 23 – Sistemas com tubos transferidos de calor .
• Tubos
transferidores de calor – Apresentam-se no formato de pino
cilíndrico oco e hermeticamente selado (figura 23). No seu
interior encontra-se um circuito fechado de transferência
de calor atuando através de um fluido refrigerante, que se
encontra em constante movimento, procurando uniformizar a temperatura
ao longo de todo comprimento do pino térmico, removendo o
calor das zonas próximas à peça.
• A eficiência deste sistema é superior ao uso
unicamente de fluido como a água. Como inconveniência
há os pinos que não podem ser cortados, ou seja, ajustados
a uma altura determinada e, para serem eficientes, necessitam que
¼ do seu comprimento encontre-se banhado em um fluido refrigerante,
dessa forma condicionando o projeto do molde em determinadas medidas
(Stitz et al, 2002; Brito et al, 2004).

Figuras 24A e 24B
Figuras 24C e 24D – Esquema de funcionamento do siatema com
tubos tranferidores de calor.
Quanto ao funcionamento, dá-se de forma cíclica,
conforme apresentado na figura 24. Em uma extremidade encontra-se
a fonte de calor (A), onde o fluido é valorizado e na sequência
desloca-se para a outra extremidade (B), que se encontra mergulhada
em um fluido resfriado (C), momento onde o vapor perde calor e condensa
voltando à outra extremidade por capilaridade (D). na sequência
o ciclo reinicia.
• Refrigeração
a gás – É um meio alternativo de refrigeração
(figura 25) onde se emprega um gás (normalmente dióxido
de carbono ou nitrogênio) como agente refrigerante (Stitz
et al, 2002).
• O funcionamento desse sistema se dá através
da injeção de gás no molde pelo tubo capilar,
como pode ser observado na figura 25. O tubo direciona o gás
sob pressão até uma câmara onde o gás
entra em contato com o elemento metálico poroso (aço
Toolvac5).

Figura 25 – Princípio do resfriamento a gás.
Dessa forma o gás penetra na porosidade do
aço até que o mesmo entre em contato com o material
injetado dentro da cavidade do molde. Ao entrar em contato com o
material aquecido, evapora e, na sequência, é eliminado
pelas saídas de gás constantes no próprio molde.
Para tanto o material poroso necessita constituir o macho ou cavidade
do molde.
• Canais
para resfriamento adaptados ao contorno das peças (machos
e cavidades) – São sistemas de resfriamento que, em
função do princípio construtivo, permitem que
os canais sejam desenvolvidos próximos ao contorno da cavidade
(figura 26). Essa condição contribui significativamente
na homogeneização do campo de temperatura nas cavidades
do molde e aumenta as taxas de transferência de calor, comparando-se
aos canais tratados como convencionais (Stitz et al, 2002; Lima
et al, 2004; Cardon, 2008).

Figura 26 – Comparativo entre eficiência dos tipos de
canais .
Os canais desenvolvidos de acordo com o perfil da
cavidade podem ser obtidos através do princípio de
prototipagem rápida. As cavidades e os machos podem ser obtidos
empregando-se processos tais como: aplicação de resinas
não-metálicas na zona de moldagem (moldes-híbridos)
ou de deposição de metais (Selective Laser Sintering
– SLS, Selective Laser Melting – SLM, Direct Metal Laser
Sinteing – DMLS, 3D Printing Technologies).
O emprego de resinas não metálicas na zona de moldagem
possui proprierdades térmicas desfavoráveis, fato
que tende a aumentar o ciclo de moldagem da peça injetada
(Lima et al, 2004).

Figura 27 – Molde híbrido.
Na figura 27
apresenta-se um exemplo de molde híbrido, com a localização
de tubos de cobre que servirão como canais de refrigeração.
O vazamento de uma resina epóxi dá o formato aos inserts
com as cavidades do molde.
Os processos SLS, SLM, DMLS e 3D Printing são tecnologias
revolucionárias que produzem peças à base de
metal, que são 99,99% densas (sólidas), obtidas diretamente
dos dados dos desenhos realizados em 3D. Esses processos, além
de vantagens competitivas quanto aos custos de fabricação
e prazos de entrega, permitem liberdade de trabalho com a geometria
das peças (Kruth et al, 2005; Cardon, 2008 e Osório
et al, 2008).
Na confecção dos insertos para moldes de injeção,
além de ser obtido o perfil da cavidade, são gerados
canais de refrigeração embutidos e conformados de
acordo com esse perfil. Ou seja, obtêm-se insertos com canais
de refrigeração que podem ser aplicados diretamente
no molde de injeção, mantendo-se as características
térmicas e propriedades mecânicas proveniente dos aços.
Na figura 28 é demonstrado um exemplo de inserto com os respectivos
canais de refrigeração conformados ao perfil da peça
a ser moldada.

Figura 28 - Canal de refrigeração no macho próximo
ao contorno da peça a ser injetada.
CONCLUSÃO
:
Evidencia-se no estudo que a eficiência do molde de injeção
e o processo de produção encontram-se ligados diretamente
aos sistemas que o compõem, sendo o de refrigeração
um deles. Dessa forma, é importante conhecer os sistemas
de refrigeração bem como desenvolver soluções
que atendam às necessidades do cliente , quanto ao tempo
de ciclo e à qualidade do produto injetado.
Quanto ao sistema de refrigeração em si, verifica-se
que, além de ser responsável por grande parte do tempo
que envolve o ciclo produtivo, também pode ser responsável
pelos defeitos encontrados o produto injetado, sejam relacionados
ao dimensional ou ao acabamento superficial do produto.
Para que o sistema de refrigeração se apresente de
forma eficiente durante o processo de produção, é
necessário que, durante a atividade de projeto do referido
sistema, considerem-se os materiais empregados na construção
do molde, o posicionamento dos circuitos de refrigeração
e o projeto da peça moldada.
Verifica-se também a existência de uma variedade de
sistemas/arquiteturas. Condição favorável à
escolha e determinação de um ou mais tipos, de forma
a atender às necessidades do processo de produção.
Considerando-se ainda que, na prática, na maioria dos casos
os projetistas de moldes de injeção desenvolvem o
projeto do sistema de refrigeração de acordo com a
experiência adquirida ou através de projetos similares
já executados, deve-se entender que essa forma de trabalho
pode levar à fabricação de um molde com baixa
eficiência durante a fase de refrigeração que
compõe o ciclo produtivo. Essa ineficiência pode ser
atribuída ao projeto inadequado do sistema de refrigeração,
o que leva a retrabalhos no molde de injeção.
A adoção de sistemas/arquiteturas adequados às
necessidades do processo (refrigeração do molde) reflete-se
diretamente nas condições de processo, como o fluxo
do material no interior do molde, por exemplo. Um sistema de refrigeração
dito como adequado proporciona o aumento da produtividade, consequentemente
propicia a redução do tempo do ciclo de injeção,
a eliminação de defeitos aparentes e a manutenção
das propriedades do componente injetado, ou seja, permite às
empresas tornarem-se mais competitivas frente a este mercado cada
vez mais concorrido.
Autores:
Sérgio Luis Silva
Fernando Antônio Forcellini
Régis Kovacs Scalice
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Fonte: REVISTA FERRAMENTAL
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